
Confesso que acho ultrapassada a fórmula dos festivais de música para conceber novos talentos. E tudo o mais realizado nesse sentido se faz carregada de uma grande nostalgia e melancolia, sempre lembrando a experência dos festivais anteriores (alguns míticos) que revelaram e consagraram nomes como Chico, Caetano, Gil, Gal, Tom Zé e, já bem depois, Tetê Espíndola. Grandes nomes que - definitivamente - surgiriam com festival ou não. Considero mesmo um erro, com toda a diversidade musical e experimental que surge em todos os cantos do país, tentar dar visibilidade aos novos cantores e compositores através de uma experiência tão formatada, engessada e datada. E aqui venho falar do
Festival da Cultura que se diz portador da "Nova Música do Brasil". E aqui nem quero criticar esta pretensão. Não merece. Nem vale a pena. O curioso que olhando o festival todos percebem que a "nova música do Brasil" é bem velha. Nada muito original no front e muita cópia mal feita de músicos e estilos consagrados. Mais engraçado é perceber que tem gente que participa de festival desde os anos 60. Bem, se fossem bons já teriam aparecido de alguma forma. Se a "nova música" for essa, estamos fritos. Mas estamos salvos. Tem muita gente boa fazendo coisas originalíssimas e que estão realizando e criando coisas fora destes espaços. Mas não quero ser injusto. Das 48 músicas, temos umas 10 muito boas. Hoje, na primeira semi-final, 5 tinham muita qualidade (Contabilidade, Achou, Lama, Sai da Cruz e Hotel Maravilhoso). Mas aqui quero realçar "
Contabilidade" de Danilo Moraes e Ricardo Taperman, "
Lama" de Douglas Germano (interpretada por Adriana Moreira)e "
Achou" de Dante Ozetti e Luis Tatit (interpretada por Ceumar). Definitivamente, são excelentes. A primeira, por ter uma belíssima letra, mas principalmente, por ter originalidade musical. É desconcertante, de ritmo quebrado, não compassado, o que muito me atrai. A segunda, por ser um bom samba, honrando a tradição, que lembra os grandes tempos de Clara Nunes. A terceira, por ser uma música alegre, que dá vontade de dançar, pra cima. E demos os créditos: a família Ozetti e Tatit esbanjam talento. E a interpretação de Ceumar é uma coisa! Parece que a música foi feita pra ela. Fica o meu voto pra estas duas. E aí sugiro que ouçam. Clicando no nome de cada uma delas vocês entrarão na página onde tem os vídeos de cada interpretação. É esperar pra ver...